Segunda-feira, 9 de Março de 2009
AUTO-ESTIMA IV

Para ter estima e confiança em si próprio é preciso conhecer-se, mas não se trata de uma operação apenas racional. As pessoas que se avaliam de modo ligeiramnte melhorativo, que, portanto, “corrigem” positivamente a sua imagem, vivem num estado de bem-estar e exprimem mais criatividade.

 

A auto-estima depende também da discrepância entre o que pensamos ser e o que desejaríamos ser, ou que deveríamos ser, em função de algumas regras morais ou sociais. A diferença pode também colocar-se entre o que somos e aquilo que os outros quereriam que fôssemos.

 

Por isso é importante remontar às origens, ou seja, compreender como nasce e se desenvolve a auto-estima, verificar de que modo e quando se forma a opinião que temos de nós prprios. É de facto precisamente nos primeiros anos da nossa vida, os da infância, que plasmamos as primeiras convicções sobre nós próprios, e isto em interacção com os adultos que nos rodeiam: nessa caminhada, as figuras mais importantes são normalmente os pais.

 

Reconhecer e processar a raiva

 

Os nossos condicionamentos sociais fazem com que a raiva seja um dos sentimentos mais difíceis de admitir: ora, é importante exprimi-la quando ela existe e, ao mesmo tempo, saber usar a magia do perdão, dissolver o passado no presente e libertar assim o futuro, deixando-o caminhar.

 

Quem não sabe perdoar baixa o seu nível de auto-estima, prejudicando-se a si próprio nas suas potencialidades vitais. Com efeito, como é possível amar, continuando a alimentar pensamentos venenosos? Perdoar, recordemo-lo, não significa esquecer, mas dissolver os vínculos que nos ligam ao outro no ódio. Se o nó da raiva é recente e não muito apertado ou emaranhado, podem ser suficientes soluções “primitivas”: gritar, chorar, dar murros numa almofada… mas se a embrulhada é mais intrincada e de origem antiga, será preciso escolher o caminho da psicoterapia.

 

Aprender a dizer não

 

Se tivéssemos de dizer instintivamente o que significa o “não”, diríamos talvez que é o símbolo da recusa. Existem, contudo, vários tipos de “não”: o “não submisso”, aquele que é pronunciado por quem está muito preocupado com o juízo dos outros (e usa talvez o “não retardado”, esperando que entretanto as coisas se arranjem, tornando supérfluo tomar posição). Depois há o “não agressivo”, quando não nos damos conta de quanto possa ferir uma recusa brusca. Há, por fim, um “não positivo””, que deixa espaço ao direito do outro de dizer não… Neste caso, trata-se de uma atitude “criativa”, precisamente porque não tira ao outro o direito de recusa, libertando assim em si a força dos seus sesejos.

 

Imaginar, decidir e agir

 

Há uma frase de Goethe que acho verdadeira e muito bela: “Seja o que fôr que possais imaginar poder fazer, fazei-lo.” é um convite dirigido sobretudo aos mais tímidos, para os quais a audácia é quase uma magia. Ora, a consciência da própria criatividade permite tomar consciência da nossa vida; e conseguir ter um maior controlo sobre a própria existência faz elevar o nível da auto-estima.

 

Um outro obstáculo no caminho de quem não consegue transformar os sonhos em realidade é o sentido da oportunidade. É bonito acariciar um projecto, mas decidir pôr-se a caminho e concretizá-lo é uma história completamente diferente. Muitos acham penoso tomar decisões porque não têm confiança no seu juízo. Neste caso, torna-se necessária  pôr em prática a Intenção, a Decisão e a Acção.

 

Exprimir os seus desejos nas emoções de base 

 

Para a auto-estima é também essencial ser capaz  de exprimir os seus desejos nas emoções “de base”: por exemplo, na esfera erótica. Quem não consegue fazê-lo, perde a confiança em si.

 

A nossa felicidade sentimental depende também dos nossos pais. Porque são eles que nos transmitem, talvez por palavras, mas muito simplesmente vivendo todos os dias a sua vida de casal, um primeiro modelo, que nos condicionará, porque procuraremos combatê-lo ou repeti-lo. Ou então – se as coisas correm bem – usá-lo-emos como “base”, com os necessários ajustamentos, para compreender o que é que na verdade queremos nós do amor. Obviamente, se as mensagens que os pais enviam são negativas, é difícil libertar-se dessa pesadíssima herança.

 

(Willy Pasini)

 

Manuel, 01/03/2009



publicado por Palhota da MalaMala às 02:46
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