Sábado, 21 de Março de 2009
PENSAMENTOS XI .Culpados, Inocentes e Humildade.

Para muitas pessoas, um dos dados mais frustantes da vida é não ser capaz de entender o comportamento dos outros. Temos o hábito de os ver como “culpados” e não como “inocentes”. Temos tendência para perceber o comportamento aparentemente irracional das pessoas – os seus comentários, as suas acções, as suas vingançazinhas, os seus egoísmos – e nos sentirmos, por causa deles, frustrados. Se dermos um grande relevo ao comportamento dos outros, teremos a impressão de que as pessoas nos fazem sentir muito mal.

 

É verdade que as outras pessoas agem de maneira estranha, mas se somos nós quem se aborrece com isso, então somos nós que precisamos de mudar. Não estou a dizer aceitar, ignorar ou advogar a violência ou qualquer acto condenável. Digo, apenas, que devemos aprender a reagir melhor às acções das pessoas.

 

Perceber a inocência é um poderoso instrumento de transformação. Significa que, quando alguém agir de uma forma que não aprovamos, a melhor estratégia é distanciarmo-nos do seu comportamento; procurarmos ver para “além”, de modo a podermos perceber a inocência que está na base desse comportamento. Com muita frequência, esta subtil deslocação do nosso pensamento tem a vantagem de nos levar à compaixão.

 

Da próxima vez (e espero que sempre, daqui para a frente), quando alguém agir de maneira estranha, procure a inocência subjacente a tal comportamento. Se tiver compaixão, não será difícil compreender essa pessoa. Quando conseguir perceber a inocência, as coisas que tinham o poder de o frustar deixam de o fazer. E quando isso acontecer será muito mais fácil sentir-se em permanente sintonia com a beleza da vida.

 

A humildade e a paz interior caminham de mãos dadas. Quanto menos se sentir compelido a provar alguma coisa aos outros, mais fácil será sentir paz.

 

Exibir provas dos seus actos é uma armadilha perigosa. Exige uma energia considerável apontar continuamente as realizações pessoais, tentando convencer os outros do seu valor como ser humano. Falar das realizações próprias faz diluir normalmente os sentimentos positivos que podem emanar de uma realização ou de algo de que se orgulhe. Para piorar as coisas, quanto mais se exibe, mais os outros o evitam, mais falam nas suas costas sobre a sua compulsão de se exibir, e talvez possam ficar ressentidos.

 

Ironicamente, no entanto, quanto menos se interessar com a aprovação, mais elogios atrairá. As pessoas semtem-se atraídas por aqueles que evidenciam segurança interior, que não precisam de mostrar que são bons, ou que  se mostram permanentemente certos. Quase toda a gente gosta de pessoas que não precisam de se exibir, que gostam de partilhar sinceramente, do fundo do coração, e não se mostram motivadas pelo ego.

 

A maneira de desenvolver a genuína humildade é através da prática. A sua primeira boa consequência pode ser sentida imediatamente por um desenvolvimento de sentimentos calmos e tranquilos. Da próxima vez que tiver oportunidade de se vangloriar, resista à tentação e colherá resultados mais positivos e melhor atenção por ter praticado a humildade.

 

 

Manuel, 21/03/2009



publicado por Palhota da MalaMala às 21:48
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